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Eu que nem gosto de Godard…

Julho 2, 2008 · 2 Comentários

Ontem tive que assistir um filme do Godard. Digo que tive que assistir, mas na verdade não foi realmente obrigado. Minha namorada precisa fazer um trabalho pra pós-graduação sobre o filme “Nossa Música” do cineasta francês e eu, mesmo morrendo de medo de me arrepender, resolvi assistir com ela. Mas se for pra falar a verdade mesmo eu diria que só decidi assitir tal fime por causa da música da Legião Urbana… “o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver um filme do Godard”. Se eu dissesse que antes de começar o filme pensei em ir comer na Sfiheria, poderia parecer mentira.

Mas sem mais firulas, vou direto ao ponto. Dois diálogos me chamaram muita atenção no filme. Lá vai:

- O senhor disse agora pouco e fiquei me perguntando: porque a revolução não é feita pelos homens mais humanos?
- Porque os homens mais humanos não fazem revoluções, senhorita. Eles fazem bibliotecas.
- E cemitérios.

O segundo não é bem um diálogo:

- Se nossa época alcançou uma interminável força de destruição, é preciso fazer uma revolução que crie uma indeterminável força de criação que fortaleça as lembranças, que delineie os sonhos, que materialize as imagens.

Há quem diga que essa revolução já está em processo. Há quem diga que ela ja aconteceu e morreu. Também há quem diga que isso tudo é palhaçada. E há quem diga que uma nova ordem mundial instaura esses valores através do que Foucault, Deleuze, Negri e essa rapaziada chamam de Biopolítica. E aí?

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Na incubadora

Julho 1, 2008 · 1 Comentário

Parece que ando fazendo “baterias de posts” por aqui. Passo dias sem postar e volto postando dias seguidos. Mas esse novo vácuo no meu blog tem um motivo especial. Fiz novas aquisições a minha prateleira de livros: Conversações - Gilles Deleuze; A Sociedade em Rede - Manuel Castells; e Império - Negri e Hardt. Devo agradecimentos ao Fabio Malini pelas indicações de leitura e pelo Império.

Como diria minha amiga Bruna, fiquei feito pinto no lixo com esses três livros pra ler. Mas resolvi não começar a lê-los ainda. Completo um ano de Iniciação Científica nesse mês e percebi que me falta um pouco de história das pesquisas em comunicação, daí resolvi ir lá no básico do básico e ler Teoria das Comunicações de Massa do Mauro Wolf.

Por isso o título. Me sinto na incubadora recebendo doses de teoria. Acredito que apesar das férias, esse mês será pouco movimentado no blog…

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Três mitos sobre a Internet que se recusam a morrer

Junho 24, 2008 · 3 Comentários

No bom estilo hipertextual de se navegar na Web, achei um texto que fala sobre três mitos da Internet que não morrem através do blog Atrium, que por sua vez acessei pela blogroll do Rafael Paes. Gostaria de fazer alguns apontamentos sobre o tal texto e também uns comentários. Quando encotramos textos com os quais concordamos, é preciso dar eco, já quando se trata dos que temos discordância de opinião, é preciso comentar e dar eco. O texto está em inglês, portanto vou colocar algumas partes traduzidas aqui.

Mito: a Internet é livre
Esse é meu mito favorito porque, no sentido literal, nunca foi verdade. Nos primórdios da Internet, as únicas pessoas que ficavam online eram estudantes universitários ou pesquisadores militares — estudantes tinham acesso através do preço do ensino; os militares o conseguiam por fazer parte de seu trabalho. Uma vez que a Internet foi aberta para o público, as pessoas só podiam acessá-la pagando taxas para um provedor de acesso. E nem mesmo vamos chegar ao fato de que você precisa comprar um computador ou pagar para usar algum por um tempo.

Mito: A Internet não conhece limites
Mesmo com o Grande Firewall da China, um elaborado sistema de filtros da Internet que previne que os cidadãos chineses tenham acesso a websites não aprovados pelo governo, muitas pessoas continuam acreditando que a Internet é um glorioso espaço internacional que pode aproximar o mundo inteiro. Quando o governo de um país como o Paquistão pode ter a escolha de bloquear o Youtube — que tem e fez — é impossível dizer que a Internet não tem limites.

Mito: A Internet é cheia de perigos
Talvez porque os dois mitos anteriores sejam muito poderosos, muitas pessoas têm acreditado que a Internet é um lugar perigoso — como uma espécie de lugares obscuros de uma cidade, onde você corre o risco de ser agredido ou assaltado se passar tarde da noite.

Annalee Newitz, autora do texto, fez uma interpretação errônea da Internet ao meu ver. Os argumentos dela são válidos ao se pensar política de inclusão social, ou seja, de um ponto de vista político a Internet realmente não é livre e possui (ou pode possuir) limites. Isso depende da maneira como o governo de um país irá administrar seu uso. É um mito achar que a Internet vai chegar a todos computadores do mundo, e pior seria pensar que todo mundo tem computador, nesse ponto Annalee está certíssima.

Mas enquanto crítica as características da Internet ela erra e muito. Pega o caso de Piraí Digital, todo mundo tem Internet de graça, liberada, free. Cá por essas bandas também está sendo estudado a possibilidade de se fazer o mesmo, vide o projeto Vitória Digital. A disussão a ser feita não é se a Internet é livre ou não, mas como torná-la livre! Sua liberdade decorre do fato de qualquer um poder produzir conteúdo da mesma forma como consome. Não adianta dar TV e rádio para 100% da população global que essa liberdade proporcionada pela Internet nunca vai ser alcançada.

Quanto aos limites, de novo é questão política. Se o Lula resolver desligar o backbone do Brasil, danou-se! Da mesma forma se o Google resolver sacanear geral é só puxar a tomada. A diferença é que no segundo caso há um interesse empresarial e capitalista de se manter os servidores ligados. No primeiro caso há um interesse do Estado em controlar (olha a sociedade do controle de Foucault) esse fluxo de informações. Daí vai do preparo de cada Estado em lidar com isso. A China, com sua postura autoritária, filtra cada mensagem transitada. Mas isso é loucura! Vai chegar a hora que o custo com servidor vai ser exorbitante, a estrutura vai ser faraônica. Daí vão ter que meter o dedão na tomada e desligar tudo. É contra-corrente.

Mas China e Paquistão não são exemplos de como um Estado pode lidar com a Internet. Daí acho que dá pra aplicar a leitura que acabei de fazer de um capítulo do Império (Negri e Hardt). O aparelho de vigilância deve estar dentro das mentes dos cidadãos. É a lógica da Matrix quando Morpheus alerta Neo “todos são potenciais agentes”, quer dizer que todos somos potenciais agentes de coerção do Estado. Somos todos polícia. Nesse sentido, há também o interesse do Estado em manter a Internet ligada quando esta se transforma em máquina de controle e vigilância. E esse controle não é feito pedindo mil documentos para ficar online e fiscalizando cada passo, mas liberando a confecção de vários textos subjetivos (tal como é esse) que revelam os mil platôs que formamos dentro dessa lógica.

Quanto ao terceiro mito, Annalee define bem: frenesi da mídia.

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Cultura da dádiva

Junho 23, 2008 · 4 Comentários

É realmente impressionante como que algumas reflexões surgem diante de fatos inusitados. Acho que não é preciso me conhecer muito para saber minha posição religiosa: nenhuma. E é preciso menos ainda para saber meu apreço pelo Padre Marcelo Rossi como músico: nenhum.

Mesmo com a balança do interesse completamente desequilibrada para assuntos religiosos, me saltou aos olhos uma matéria com o seguinte título: “‘Download é diferente de pirataria’, diz Padre Marcelo“. Se meu blog fosse um pouco mais famoso eu diria que eles leram meu post-crítica à matéria sobre “pirataria na Espanha”. Mas sou conhecido apenas por meia dúzia de bons leitores, sendo talvez todos também blogueiros. O caso não é esse com certeza.

Primeira coisa que pensei ao ler o título da matéria: “que p***a é essa?”. Não resisti. Cliquei e fui ler. Mas como bom estudante de jornalismo que sou, li o lide e fui pra pergunta que me interessa:

G1 - E o download para uso próprio? O sr. acha que espalhar a mensagem é o mais importante?
Padre Marcelo -
Se a pessoa está fazendo isso [download], é diferente. Agora, comprar no pirata… Ao mesmo tempo, a pessoa tem que ver o seguinte: o religioso, que não é o meu caso - já que existe a diferença entre padre religioso e secular - o religioso não pode colocar as coisas em seu nome. Eu jamais poderia pegar um dinheiro que vem da coleta, é da igreja. Esse dinheiro do CD - falo canonicamente e juridicamente - é licitamente meu. E eu dou todo o dinheiro para o Santuário, que também não é meu, é da igreja. Se você quer fazer um download, ótimo, não tem problema nenhum. Mas saiba que eu fiz a minha parte. Eu doei o que era meu.

Show! Eu tenho uma visão preconceituosa com a Igreja, confesso. Sempre acho os discursos conservadores e atrasados. Mas saca a maestria do padre: “saiba que eu fiz a minha parte. Eu doei o que era meu.” Quando eu falo, linko, indico… falto pouco brigar, é disso que eu to falando: cultura da dádiva. E me felicita muito ver um padre pensando assim. Já pensou que show ele dando um sermão dessa forma? Vai chegar um dia que meu pai ao chegar em casa irá me perguntar se eu baixei o cd que ele queria, daí eu respondo que sim, Mas fez algum upload hoje, filho?

Sacou? Como disse Fabio Malini lá no Vitória Digital… “é preciso criar a cultura do upload”. Em download já somos mestres. Mas só existe mídia social se existir download & upload.

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Profissão: blogueiro

Junho 20, 2008 · 3 Comentários

Se é ou não profissão isso ja foi discutido aqui, no Herdeiro do Caos, no Libellus, no Web Research, no Navalha Infame, no ius communicatio, no Cultcoolfreak, no vejo tudo e não morro e no Meio Digital, certo?

Mas o lance é que quem quiser mandar currículo para a Knowtec a fim de preencher a vaga de blogueiro, pode mandar…

Eita nóis. E agora, José?

Eu mandei.

Via Herdeiro do Caos

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Gil, o ministro hacker

Junho 19, 2008 · 5 Comentários

Fantástica entrevista no Link do Estadão com Gilberto Gil. Vou colocar aqui o que eu considero os pontos altos da entrevista.

O sociólogo Sérgio Amadeu o chama de “ministro hacker”. O que acha disso?
Acho bom. Ótimo. Quem são os hackers? São os propiciadores de viabilizações, viabilizam possibilidades novas, através de técnicas e tecnologias. E eu me vejo como um hacker. Sou um ministro hacker. Um cantor hacker.

Como começou essa relação do senhor com a tecnologia?
Eu tenho fascínio por esse mundo das tecnologias que substituem processos humanos. A tecnologia é uma extensão do homem. Tudo aquilo que o homem já pode transferir para a máquina ele transfere, criando com isso mais tempo para novas fantasias, expansões da inteligência. A máquina, por mais difícil e condicionadora que pareça ser, é libertadora. O homem se libera para outras coisas, para filosofar, para o pensamento religioso, afetivo.

O que faz um ministro da Cultura e um compositor de sucesso ser defensor do software livre?
Software é cultura. É evidente. Um dos meios de concentração de conhecimento e de linguagem, de difusão (colaborativa) de linguagem, as várias plataformas que abrigam possibilidades enormes de comunicação, tudo isso é cultura.

O seu Ministério encara o game como cultura. Por quê?
Porque é cultura. Primeiro é uma forma de expressão, uma manifestação muito difundida entre jovens e uma fonte de criação. Tem a fantasia, a capacidade de narrativas variadas, a manifestação teatral, de desenho, de animação.
O sr. já jogou?
Eu jogo, de vez em quando, esse jogo de música…
O ‘Guitar Hero’?
É, o Guitar Hero. Meu filho José (de 17 anos) joga e, de vez em quando, me põe a guitarra na mão. Fico uns 10, 15 minutos.

O senhor baixa música?
Não. Os meus filhos fazem isso. É falta de hábito.
Mas tem algo contra isso?
Não.
E se alguém baixasse um trabalho seu, o senhor processaria?
Não creio que eu me dispusesse a tanto… (risos).

Mas e a lei de direitos autorais, incluindo o Brasil, vai mudar?
Precisa mudar. Nós no âmbito do Ministério vamos propor em agosto a reforma da lei.

Achei a entrevista no blog do Yuri

Pra fechar um jamming do Gil com Richard Stallman, ativista do software livre.

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Espanha lidera compartilhamento de arquivos via P2P

Junho 19, 2008 · 3 Comentários

Era pra manchete ser assim na minha opinião. Mas o G1 preferiu dizer Nível de pirataria na Espanha se iguala ao da legalidade, diz pesquisa. Vou nem questionar o princípio de imparcialidade. Afinal de contas, quem disse foi a pesquisa, né?

Achei essa matéria um bom exemplo pra poder colocar um “vs” a alguns posts do Remixtures, do P2P Blog e outros que eu tinha na minha lista de feeds mas acabei tirando por falta de tempo para acompanhar todos. Vou fazer o seguinte: pegarei aleatoriamente um post do Remixtures e colocarei um pedaço do texto abaixo. Depois faço o mesmo com a matéria do G1. Em seguida faço minhas considerações.

Comparando

Trecho do Remixtures

Qual foi o número de ficheiros disponibilizados? Qual foi a rede peer-to-peer utilizada? Qual foi o argumento utilizado pelo tribunal na sua decisão para condenar este cidadão incógnito dado que quase de certeza ele apenas partilhou as músicas para fins exclusivamente não comerciais? A “jornalista” Lucia Crespo não esclarece. Apenas ficamos a saber que a sentença do tribunal ainda não transitou em julgado. Não estaremos a assistir a uma mera estratégia de desinformação destinada a gerar “Medo, Incerteza e Dúvida” igual às que as associações representantes dos interesses das quatro grandes editoras discográficas já nos habituaram nos Estados Unidos e na Europa?

Trecho do G1:

A Espanha é um dos centros mundiais da pirataria. Nos últimos cinco anos, o país experimentou um notável crescimento no volume de downloads ilegais. A cada segundo, são baixados em média 30 arquivos entre livros, canções, filmes, jogos e capítulos de séries televisivas, segundo a pesquisa.

Logo de cara dá pra perceber diferenças de linguagem muito claras: um questiona, o outro afirma; um problematiza, o outro categoriza. Creio que a linguagem jornalística possua muito essa marca de “vamos botar os pingos nos is”, ou seja, colocar os indivíduos em determinados papéis sociais sem apuração. É prática comum em redações, por questão de praticidade (e aqui não culpo de forma alguma os colegas jornalistas), definir previamente um roteiro da reportagem. Nesse roteiro já se tem definido os “personagens” da história, cabendo apenas correr atrás dessa galera na rua pra preencher os papéis.

Então isso acaba levando pra situação como essa. Não citei a mesma notícia em diferentes veículos, mas coloquei a mesma temática abordada por um jornal e por um blog. Qual a diferença então, no plano da linguagem, entre ler uma notícia em um blog e ler em um jornal? Digo do ponto de vista do “leitor final” (pegando emprestado um termo do pessoal da informática quando se refere ao usuário final, aquele que não irá modificar o software, apenas utilizá-lo).

Lendo blogs e jornais

Não tenho resposta para a pergunta que fiz (felizmente, se não eu poderia parar de estudar blogs. rs). Mas tenho algumas idéias. Peço a quem estiver lendo esse post que faça o mesmo exercício mental que eu fiz, mas de forma mais abstrata. Imagine como esse tema que abordei aqui seria tratado pelo G1 ou qualquer outro jornal. Digo mais: será que teria valor-notícia suficiente para virar pauta?

Pra fechar. Acho que o blog enquanto linguagem informativa (e nesse sentido cabe fazer paralelos com o jornalismo incansavelmente) é um veículo caracterizado pelo ponto de interrogação, ao passo que o jornal é caracterizado pelo ponto final. Isso quer dizer que o blog se propõe a deixar lacunas abertas, um convite inconsciente para o leitor participar da construção daquela informação. E nesse sentido a informação do blog é uma informação viva sem prazo de validade definido (o que não significa dizer que ela não sature e perca seu valor um dia).

O jornalismo se propõe a preencher lacunas. É a idéia do lide. O lide exerce um papel semelhante do blog. Sua diferença é que ele não cria perguntas, as perguntas já estão prontas, basta respondê-las. Logo, a informação jornalística já nasce com prazo de validade definido, inscrito na periodiciade da publicação. Se o assunto tratado não vencer dentro daquele prazo, então basta esquentar a notícia no microondas e publicar novamente… até que enfim cumpra seu papel e estrague.

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Vitória Digital

Junho 17, 2008 · 1 Comentário

Amanhã vou a um evento promovido pela Prefeitura de Vitória, no qual será assinado uma parceria entre a prefeitura e a Universidade Federal Fluminense para desenvolvimento do Programa Vitória Digital, que vai elaborar estudos de instalação de rede pública para conexão sem fio de internet em Vitória. Em seguida será realizado o Seminário Vitória, Cidade Digital.

Bora? Até o Yuri lá pelas Bahia tá falando heim…

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O que é jornalismo multimídia?

Junho 16, 2008 · 2 Comentários

A resposta soa fácil. Oras, jornalismo multimídia é uma matéria com áudio, vídeo, fotos, textos e tudo mais que se puder mesclar. Ou então poderia-se dizer que jornalismo multimídia é um novo discurso empresarial para não contratar cinegrafistas e fotógravos. Se a técnica de dirigir um veículo fosse considerado como uma pitada extra de multimidialidade, não duvido que também colocaria o jornalista para guiar o veículo até o local de reportagem enquanto filma o percurso, tira fotos, faz passagem e entrevista fontes.

Pra mim isso tem outro nome: cobertura de guerra. Sabe como é… o cinegrafista morreu com um tiro no peito, o fotógrafo foi sequestradoe e o motorista fugiu de medo. E o jornalista, por muito amor a profissão que tem, mateve-se firme, seguiu todo seu código de ética. Desbravou campos de batalha, fotografou fraturas expostas, filmou a si mesmo coberto de lama dizendo “estou aqui… *tá tá tá tá*… na Faixa de Gaza e… *tráááá tráá*… a situação é realmente complicada *booooom*”.

Pois é. Esse papo de que “os tempos são outros” e o jornalista hoje tem que fazer tudo é papo furado. É nesse hora que eu abro um parênteses, coça a nunca e me pergunto, Caramba, será que sou um cara quadrado, antiquado e conservador? Pergunta que já mi fiz por esses posts.

Conservador que nada. Caso um jornalista consiga produzir uma reportagem multimídia dessas sozinho, ok, sou conservador. Mas vou logo avisando… minha faculdade não me preparou pra isso. Então, futuros empregadores, se algum dos senhores me contratem com a esperança de que eu venha a apurar, gravar, filmar, fotografar, plantar bananeira e imitar macaco ao mesmo tempo, podem tirar o cavalinho da chuva.

A reportagem a que me refiro eu achei num post do Intermezzo. Trata-se de um trabalho de conclusão de curso, feito em grupo, claro. Isso sim é multimídia. Mas qual a aplicabilidade disso no dia-a-dia de uma redação, deve ser a primeira pergunta a ser feita nesses casos. Em seguida vêm acusações, O mercado nunca vai conseguir produzir uma coisa dessas! Será? Olha lá no ElPaís o especial do 11 de Março.

Essa coisa de multimídia pra mim é isso. Profundidade, riqueza em detalhes. A redação tem tempo pra fazer uma coisa dessas sobre o esgoto que tá vazando lá em não-sei-onde? Não. Mas que dá pra caprixar numas pautas grandes, ah isso dá.

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Esclarecimentos sobre o caso TRE-RJ

Junho 5, 2008 · 2 Comentários

Escrevi há alguns dias sobre a censura feita aos blogs que apóiam o candidato Gabeira no Rio pelo TRE-RJ. Fechei o post dizendo que o TRE-RJ havia feito uma portaria liberando a campanha política na Internet em redes sociais, blogs, orkut e etc. Só que ficou um mal entendido: tá liberado ou vai ser liberado? Posso colocar um banner do meu candidato cá no meu blog ou não?

Pedro Dória responde.

No Rio de Janeiro, banner em blog e uso de redes sociais como Orkut, MySpace ou Facebook serão permitidos a partir de 6 de julho, quando a campanha em todos os meios passa a ser permitida. Fazer parecer que há uma eleição em curso, antes disso, é ilegal.

Ficou claro?

Hum… e seu eu quiser só fazer um post dando um breve histórico de um candidato? Precisa nem ser o que eu apóio, afinal de contas é sempre bom ter os olhos virados para todos os lados. É proibido também? Continuei com dúvidas…

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