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Comunicação Cidadã: um olhar para além do público e do privado

Novembro 12, 2007 · Não Há Comentários

Estive nesse sábado (10/11) no Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (CIAC) para assistir o seminário Comunicação Cidadã promovido pela Prefeitura de Vitória. A proposta era discutir políticas públicas de comunicação cidadã. Pela manhã foram expostas experiências de Mariana Paulino e Paulo de Tarso Riccordi.

Uma coisa que aprendi nos últimos anos na universidade e especialmente nos últimos meses com a militância estudantil é sempre desconfiar de quem está no poder. É muito bom ver a preocupação dos governantes em promover a democratização da comunicação (ou se livrar do ponto de vista da imprensa tradicional) criando novos canais para isso. Mas no fim das contas além do serviço de utilidade pública a que se propõe não estariam fazendo propaganda ideológica. Sem vergonha nenhuma (e não há motivo para se envergonhar) assumem que sim.

Talvez o problema de confiar no poder é que hoje alguém com boas intenções toca políticas de inclusão como essas, mas amanhã pessoas com intenções discutíveis tocam os mesmos projetos. Como discernir? Complicado. Então seria o investimento privado uma saída? Talvez. Mas ainda as empresas são discutíveis… estar atrelado a uma empresa significa necessariamente compartilhar de sua ideologia. Ou seja, significa fazer parte de uma lógica de mercado. Mas se não é no poder e não é no privado, em quem vamos confiar?

Pierre Lévy responde a isso definindo a economia do “homem total” no livro “Inteligência coletiva”:

Não mercantil não significa forçosamente estatal, burocrático, monopolista, hostil à iniciativa privado ou alérgico a toda forma de avaliação. O problema da engenharia do laço social é inventar e manter os modos de regulação de um liberalismo generalizado. Segundo esse liberalismo ampliado, cada um seria produtor (e solicitador) individual de qualidade humanas em uma grande variedade de “mercados” ou contextos, sem que ninguém jamais pudesse se apropriar dos “meios de produção” dos quais os outros seriam privados. Na economia do futuro, o capital será o homem total.

Fica aí o trecho para uma maior reflexão: quais as saídas para projetos que dependem de investimentos? O que há além do público e privado?

Para fechar: vejo agora claramente a razão pela qual não utilizo o termo “jornalismo cidadão”, pois pode se confundir com a relação estatal. Prefiro mesmo jornalismo colaborativo…

Categorias: Comunicação · Jornalismo · Mercado · Política · Reflexões
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