Cheguei hoje de Sampa, onde apresentei meu artigo no Intercom. Não podia deixar de fazer um post sobre a experiência. Apresentar um trabalho científico pela primeira vez é… tenso. Tenso de tensão mesmo, apreensão, nervosismo. Mas correu tudo bem, acredito.
Mas quanto a cidade de São Paulo… fantástica, excitante! Sempre achei que dormir era uma coisa muito chata quando penso nas coisas que eu poderia estar fazendo nesse tempo que perco apagado. Em São Paulo essa sensação é muito maior. Na verdade é tão maior que você realmente não dorme. Na primeira noite tive 6 horas de sono, na segunda noite tive quatro. E não dá pra acordar cansado, pois é tanta coisa pra se fazer que não dá tempo da fadiga chegar.
Museu, instalações, mercado, camelôs, bares. Tudo lá é muito, é grande, é excesso. Conversando com Flávia (do Labic), ela me contou o que uma amiga dela que mora em São Paulo acha de cidades litorâneas. Segunda ela, é muita água, parece um grande vazio urbano, pois em São Paulo para onde você olha há pessoas, há prédios, há movimento. Quando Flávia me contou isso me senti o próprio Kaspar Hauser descrevendo porque seu quarto é maior que o mundo. Eu vejo o final da minha rua, assim como Kaspar vê os limites físicos de seu quarto. Não vejo o final da imensa av. Paulista, assim como Kaspar não vê nada para além do horizonte, onde não há paredes.
Enfim, foi também uma viagem de auto-conhecimento, pois através da vivência de outro lugar descobri muito do que eu sinto do meu lugar. Vitória é linda, aconchegante. Sampa é glamourosa, extravagante. Tá certo que eu nunca vou ver uma cidade da maneira como os paulistas vêem. Nunca vou sentir um vazio ao ver que no horizonte não há nada além do mar ou do céu. E no final das contas comecei a sentir falta de chamar o garçom pelo nome, de distribuir “bom-dia” no curto caminho até a universidade e etc.
É muito bom estar lá. E é muito bom viver aqui. Por isso quando eu me cansar de chamar o garçom pelo nome posso fazer minhas malas e ir pra lá. Ainda que de uma forma ou de outra, depois da enésima cerveja, eu irei perguntar: “desculpa, mas qual seu nome?”.
2 respostas so far ↓
Aline // Maio 12, 2008 às 11:31 pm
que texto mais bonitinho,thalles!
cara de crônica com cara de blog.
Penny // Maio 14, 2008 às 7:07 pm
Ainda bem que nem todas as pessoas gostam das mesmas coisas.
Deixe seu comentário