To começando a levar isso pro pessoal. rs. Comecei divagando sobre a blogosfera, a cultura e tudo o mais… entrei em quase-pânico quando constatei que sou conservador em relação à blogosfera. Então me recompus e pensei o que Boudieu acharia disso. Fiquei tranquilo. Por pouco tempo. Pois minha abordagem foca um recorte muito específico no que eu chamo de blogosfera, deixa a multiplicidade de fora. Ignora uma Blogosfera. Ou se não ignora, não pretende tratar de imediato.
Nesse caminho pude trocar muitas figurinhas com Ceila Santos, que deu ótimas contribuições. Além disso, Yuri, Arthurius, Elisandra, Sérgio… geral baixou aqui e deu pitaco. E que cheguem mais e mais. A conversa tá ganhando consistência.
Mas o lance é que eu fiz um post propondo um entedendimento da blogosfera como um corpo sem órgãos, um conceito deleuziano. E soltei a questão: qual a metodologia ideal para se compreender a blogosfera? E lá vai Ceila:
A metodologia ideal para estudar a blogosfera???? blogar , uai! (…). Analisá-la é um pouco como analisar a nova humanidade que se forma.
E nessa nova humanidade, na minha opinião, a REGRA PRINCIPAL QUE A DEFINE É conta não-zero. Ou seja, eu não sou só jornalista, ou só engenheiro, ou só programador. Sou jornalista blogueiro, dona-de-casa, tudo ao mesmo tempo.
Fiquei bolado. Fui pra Sampa pensando nisso. Sabia que de alguma forma a explicação para isso passaria ainda por Deleuze. Ao chegar de Sampa troquei umas idéias com meu orientador pelo Gtalk que me deixou numa crise metodológica. Eu já sabia que Bourdieu não ia dar conta do recado para entender toda a blogosfera, só não sabia o que eu ia fazer. Então sentei e fui ler. Cheguei a uma conclusão parcial…
Primeiro é preciso ver a blogosfera como muliplicidade que não tem sujeito nem objeto. Dotada apenas de determinações e dimensões que não podem crescer sem mudar de natureza. E tal mudança é efetivada pelo que Deleuze chama de agenciamento: “Um agenciamento é precisamente este crescimento das dimensões numa multiplicidade que muda necessariamente de natureza à medida que ela aumenta suas conexões.”
Se se compreender o campo blogueiro (e aqui me refiro ao conceito de campo de Bourdieu) como parte do campo midiático, um desdobramento, é possível - diria até com certa convicção - que este seja um bulbo que cresce de uma árvore. Assim, a blogosfera se define pelo “ser” e pelo “não-ser” - positividade e negatividade - sendo o “ser” exatamente a linha de fuga, pois forma uma estrutura destoante do campo midiático, geradora de princípios, signos e sentidos próprios - produto de suas contradições, de seus encontros, enfim, de seus agenciamentos. E sendo o “não-ser” resultado de uma negação ao princípio em si, ou a raiz da qual brota. O que vale questionar é: como ocorre essa negação? Mas deixemos isso de lado por ora.
Portanto, o agenciamento possui (ou deve possuir) uma importância metodológica central. Então, a questão fundamental para se compreender a positividade da blogosfera é: quais são seus agenciamentos? Deixo a questão para quem passar por aqui e se interessar.
5 respostas so far ↓
ceila santos // Maio 15, 2008 às 1:41 pm
duas perguntinhas:
1- bulbo são as raízes, né? blogosfera estaria debaixo da terra, enquanto a imprensa continua sendo hierarquica como a árvore, é isso?
2-blogosfera como muliplicidade que não tem sujeito nem objeto. pq sem sujeito nem objeto?
quando li, pensei não deveria ser com milhares de sujeitos ( inclusive aqueles que estão num só corpo- ou seja, blogueiro que escreve um blog) e objetos bastante definidos ( conhecimento e ferramenta tecnológica). isso me fez pensar que apesar da pluralidade humana imensurável há uma plataforma, responsável inclusive pela evolução do blogueiro, que pode ser mensurada: o conhecimento técnico. quanto mais conhecimento técnico, o blogueiro tem, maior sua evolução para sobreviver como blogueiro. ad sense: obriga o blogueiro a usar bem plavras-chave, o que resulta em escrever exatamente o lide do jornalista - uma convenção para a imprensa. talvez essa pode ser um viés para analisar a blogosfera. pelo menos enquanto a evolução tecnologica não inclui todo mundo nesta plataforma.
Aline // Maio 16, 2008 às 12:08 pm
bem bem, como estou sem saco pra comentar a sua metodologia vou falar a que vim.
1- http://sacodefilo.blogspot.com/ - acho que vc vai gostar do último post.
2- me passa logo seu artigo.
3- vc pode me ensinar, por favor, a botar uma licença creative commons no blog?
Thalles Waichert // Maio 19, 2008 às 7:51 pm
ceila, primeiro peço desculpa pela demora… tinha visto seu comentario já, mas ando meio sem tempo… vamos lá.
o esquema é o seguinte… antes de qualquer coisa: falo no post do rizoma de deleuze, que é uma proposta metodológica de estudo e compreensão do mundo e etc.
1. qdo deleuze fala em bulbos ele se refere a uma estrutura tal qual da erva daninha, que não possui um centro estruturante e nem morre caso se corte uma de suas hastes. Já a idéia de árvore (que é a idéia de raiz) representa uma estrutura estratificada, ou seja, possui a semente como origem de tudo, que resulta na raiz, tronco, galhos, folhas e etc…. trocando em miúdos, se fosse desenhar o bulbo (ou rizoma) seria aquele desenho de rede que conhecemos, já a árvore (raiz) trata-se de um esquema clássico “um emissor para vários receptores”.
2. sem sujeito nem objeto pq exatamente pq não há centro. qdo vc diz milhares de sujeitos vc chega bem na ideia de multiplo. Então é o seguinte: a idéia de sujeito e objeto que deleuze coloca é linguística, ou seja, seria como entender a blogosfera como uma coisa sem dono, sem dimensão, sem controle. Sacou?
E gostei do que vc sugere… as palavras-chave utilizadas pelo blogueiro o submete a um “lead”… perfeito! ou seja, um molde de produção… o conhecimento precisa ser moldado segundo direcionamentos que trazem audiência. Gostei disso, moça!!
Qualquer coisa me chama em pvt pra gente conversar mais sobre isso… thalleswaichert[arroba]gmail para o gtalk e thalleswaichert[arroba]hotmail para o msn. Geralmente to online por volta das 18, 19 horas… me chama lá pra gente trocar uma idéia legal!
Como um leitor de feeds pode ajudar sua vida « thalles.blog // Maio 21, 2008 às 11:20 am
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Carlos Andrei // Junho 12, 2008 às 1:45 pm
Olá Thalles, assim como você, eu e outros colegas estamos pesquisando a blogosfera. no nosso caso, estamos investigando como se estabelece a mediação cultural. acho que podemos trocar algumas figurinhas.
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